Porque nem só de cartas vive o Homem…IV – Maria a tartaruga

0_1Maria não era uma tartaruga qualquer. Desde sempre que sonhava com velocidade, grandes velocidades! Na verdade Maria era perseguida pelo seu passado familiar, muitos anos antes um tio avô dela, havia participado numa corrida que ficou celebre em todo o mundo. O seu tio avô correu contra uma lebre, fanfarrona e desleixada, essa lebre acabou por perder a corrida para a tartaruga. Desde sempre essa história foi contada na família de Maria, na verdade por vezes era um bom quebra gelo. Maria recorda-se como passou o seu primeiro dia de aulas, não conhecia ninguém mas após dizer que era da família de tão célebre tartaruga, logo foi recebida pelos restantes meninos em euforia e curiosidade. Mas o sonho de Maria não se prendia em chegar ao fim de qualquer corrida, o que ela sonha era sentir o vento no seu bico, sentir toda a força da velocidade a bater-lhe na carapaça. Numa das habituais reuniões familiares, o seu tio avô, estrela da família ainda nos dias de hoje, repara que Maria está triste.

– O que se passa contigo minha conchinha do mar? Pergunta o tio avô
– Nada, responde Maria sem grande convicção.
– Sim, nado muito bem! Gracejou o tio avô.
– Não seja tonto! O que sentiu quando venceu a sua corrida contra a Lebre?
– Não sei minha querida, parece que toda a gente sentiu aquele momento com mais intensidade do que eu. Na verdade ninguém esperava que eu ganhasse, principalmente eu!
– Mas não ficaste feliz? Perguntou Maria curiosa.
– Não mais do que o habitual minha conchinha! Na verdade eu fui empurrado para aquela corrida, não tinha nada a provar a ninguém, no entanto foi tanta a a pressão que acabei por participar… Fiquei contente em parte mas a minha vida ficou diferente! De repente de um dia para o outro era um celebridade, toda a gente queria falar comigo, rádio, televisão…acabou o meu sossego. Mas não significa que não tenha gostado. Mas ninguém se lembra da lebre, ninguém se lembra da profunda depressão em que entrou após aquela corrida, foi expulsa da sociedade das lebres, esteve muito mal… este foi o lado menos conhecido da história e mais triste da história.
– Não sabia disso, disse Maria meio triste!
– Não fiques triste minha conchinha, cada um de nós faz o que é melhor para si, a lebre recuperou e hoje está bem a vida e é respeitada. Talvez aquela corrida tenha sido necessária para ela também. Todos os domingos nos encontramos para lembrar do passado e conversar um pouco, somos bons amigos.
– Eu só queria saber o que é ser veloz, sentir o vento a passar na carapaça.
– Não desistas desse sonho, talvez um dia se torne realidade!
Dias passaram desde esta conversa entre Maria e o seu tio avô, quando a mãe chamou a Maria.
– Mariaaaa, tens correio para ti.
Correio? – pensou a Maria, quem lhe poderia escrever uma carta?
– Tens uma encomenda – diz a mãe.
– Uma encomenda? – pergunta a Maria ainda mais intrigada.
– É do tio avô tartaruga!
– Maria abriu e lá dentro estava um skate, e junto a ele uma carta.
– Maria abriu a carta e leu em voz alta para a mãe:
“Minha conchinha, fiquei a pensar na nossa conversa do outro dia, espero que este presente seja o primeiro passo de uma vida a outra velocidade. Sempre que te vejo penso que embora tenhas um corpo de tartaruga, o teu coração é de gazela! Beijos e segue sempre os teus sonhos”
Maria foi a primeira menina e tartaruga a ter um skate na sua rua. Quem sabe um dia também ela seja uma das famosas da família.

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