Porque nem só de cartas vive o Homem…XIII – Zé Cambuta

1José já não sabe ser criança. Da fisga apontada aos pardais dispara pequenas pedras, não são para matar, apenas para passar o tempo. Na plantação de açúcar todos o tratam por Zé Cambuta, devido à baixa estatura e idade. Dia após dia ajuda na apanha da cana, ainda não tem idade para cortar, por isso faz apenas pequenos molhos que transporta à cabeça para o tractor. José sonha em ser advogado, para um dia poder defender todos os que sofrem de injustiças.
– Quero ser advogado na América!
– Mas tu sabes onde é a América?
– Sei mais ou menos que fica do outro lado do mar! A professora disse que é uma terra onde todos os que querem podem ser alguém!
– Isso não sei filho, mas seja que na América ou aqui na plantação, estás destinado a grandes feitos!
– Mamã o destino é aquilo que nós queremos fazer da nossa vida…
– Então vamos apanhar mais cana para te ajudar nesse sonho!
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Zé nunca chegou a ser advogado, tornou-se capataz do conjunto de plantações da sua zona! O seu sonho não desapareceu, apenas se transformou! Zé é capataz mas não gosta de mandar, criou a primeira cooperativa de trabalhadores e melhorou significativamente as condições de todos os que trabalham nas plantações. De um velho barracão criou uma pequena escola, para que os filhos dos trabalhadores pudessem ansiar a mais do que trabalhar numa plantação de cana. Maria é a professora, é também a mulher que todos os dias aquece o coração de Zé Cambuta.
– Não tens pena de nunca ter seguido o teu sonho Zé?
– Mas eu segui o meu sonho, só não faço a advocacia com os livros, mas sim com o coração. Ser advogado não era um sonho, era apenas o meio para poder realizar o meu sonho – Ajudar os outros.
– Gosto de ti Zé! Gostamos todos, os miúdos fizeram este pequeno texto para ti!

” Nós gostamos do Zé Cambuta porque ele é nosso amigo. Criou a escola para nos dar educação e nos ajudar a ser alguém. Zé é só Cambuta no nome, porque no coração é muito grande. Gostamos muito de ti Zé”

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